VIII NOITE CULTURAL DA LEC : SABERES DA RESISTÊNCIA

A arte e a cultura devem sair dos templos de pedras dos saberes eruditos. A arte e cultura brasileira deve ir para as ruas pela educação e cidadania, em uma linguagem mais popular e acessível pois pertence a toda nação comum brasileira que felizmente não é só composta de vários pernósticos falsos eruditos. A arte é do povo e a cultura nossa melhor tradição tudo que aprisiona elas, estará sempre na contramão da verdadeira liberdade, igualdade e democracia. (Ricardo Vianna Barradas)[1]. 

Por Edilaisa Ramos Pego

Aconteceu no dia 30 de janeiro de 2020, a VIII Noite Cultural da Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da UFVJM. O evento foi realizado no anfiteatro do Centro de Estudos em Humanidades (CEH), no Campus JK da universidade, em Diamantina - Minas Gerais. Além da mística de abertura, o evento contou com cerca de 20 apresentações artísticas, como músicas, poesias, peça teatral, contação de histórias, entre outras.

A Noite Cultural da LEC tornou-se uma tradição na UFVJM e vem ocorrendo semestralmente desde julho de 2016. O evento iniciou-se a partir do incentivo da professora de literatura Noemi Campos Freitas Vieira, quando administrou, em 2016, a disciplina de Metodologia do Ensino de Literatura. A atividade veio contextualizar os conteúdos da disciplina com as diversidades culturais presentes no curso.

Ao estreitar laços afetivos dos estudantes e revelar talentos, a Noite Cultural caiu no gosto popular. Além de propiciar um momento em que os discentes e docentes se distraem e fogem um pouco da rotina do curso, que exige muito esforço e dedicação de todos, o evento promove e difunde aspectos do patrimônio artístico e cultural das comunidades do campo na área de abrangência do curso. No evento, é possível observar a aproximação das diversas culturas existentes dentro e fora do curso e a reafirmação das várias identidades campesinas, que se manifestam no canto, na prosa, na dança, no olhar ou em um simples gesto de acolhida de seus participantes. Atualmente, a Noite Cultural é organizada e produzida pelos estudantes da LEC, com a colaboração de professores do curso, principalmente do professor Helder Morais, cujo apoio tornou-se imprescindível para sua realização.

Fonte: @educacao_do_campo) - https://instagram.com/educacao_do_campo_ufvjm?igshid=199sjm7qk5qis
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A VIII Noite Cultural, que propiciou um momento de interação, descontração e de resistência, apresentou como tema "Saberes da resistência". Através das diversas manifestações culturais, os estudantes expressaram sua luta por mais reconhecimento de suas culturas, de seus saberes e do seu espaço dentro da universidade. Cabe ressaltar que o tema "Saberes da resistência" surgiu a partir de demandas dos estudantes pela manutenção e ampliação da infraestrutura oferecida pela universidade aos estudantes, entre elas a alimentação durante o Tempo Universidade, o acesso à moradia estudantil e a continuidade do regime de alternância do curso, o qual é organizado em tempos e espaços diferentes, ora realizados na sede da universidade em Diamantina-MG (Tempo Universidade), ora nas comunidades de origem dos estudantes (Tempo Comunidade).

Nessa edição do evento, contou-se com a presença de um jovem poeta de 16 anos, Alexandre de Jesus Pereira da Silva, residente do pequeno vilarejo Vau, situado no município de Diamantina. Através de suas mãos, de um pedaço de papel e de uma caneta, o jovem deixou falar alto aquilo que está no seu coração ao recitar poemas de sua autoria, entre eles "Garrafa de Vinho", "O poeta" e "Ser Imprudente". A seguir, são apresentados trechos do poema "Ser Imprudente[2]", recitado pelo jovem prodígio na VIII Noite Cultural.

(...)

Os pássaros reflorestam as matas e o homem, incompetente, vai lá e faz queimadas.

A natureza é perfeita e o homem descontente dela faz desfeita.

Como pode o homem ser tão desprezível? Destrói tudo sem medo, que ser impossível.

Parece querer acelerar o previsível.

(...)

A VIII Noite Cultural contou também com apresentações artísticas de professores, o que é muito importante para o curso, visto que fortalece a relação/interação entre educador e educando. Houve a participação do professor José Claudio Luiz Nobre, tocando e cantando a música "Tocando em frente" de Almir Sater, junto com a dupla de estudantes Edson de Souza Santos e Maria Eunice de Souza Franco, e da professora e coordenadora do curso Ivana Cristina Lovo, que recitou o poema "Você nunca esteve diante do horror", da escritora Lubi Prates. Segundo a professora, o poema a tocou muito forte quando o leu, por isso sentiu a necessidade de recitá-lo no evento. Além disso, a VIII Noite Cultural teve uma atração inesperada, a performance musical dos professores Helder Pinto de Morais e Clebson Souza de Almeida, que animaram a plateia ao encerrar o evento ao som de Legião Urbana, puro Rock'n Roll.

Fonte: @educacao_do_campo) - https://instagram.com/educacao_do_campo_ufvjm?igshid=199sjm7qk5qis
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Apresentar a cultura popular em eventos como a Noite Cultural é fortalecer a(s) identidade(s) de um povo, seus modos de vida e suas tradições. São reflexos das memórias dos nossos antepassados que nos possibilita perpetuar pelo menos um pouco da história do nosso povo através dessas manifestações culturais. Promover a arte e a cultura popular na universidade é uma forma de luta e resistência por uma sociedade verdadeira, igualitária e democrática. Viva a Cultura Popular!


[1] Disponível em: <https://www.pensador.com/frase/MjQ5NzkyNQ/>. Acesso em 04/03/2020.

[2] No prelo.