Universidade federal para estudantes do campo: quebrando barreiras e abrindo caminhos para um diploma

Por Tatiane Sousa

O ensino superior sempre foi o objetivo de muitos estudantes que, ao terminar o ensino médio, sonhavam conseguir exercer uma profissão. Atualmente, os dois processos seletivos mais comuns para a entrada em uma universidade federal é o vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Em ambos os métodos avaliativos, os estudantes têm a oportunidade de demonstrar seus conhecimentos acerca de determinados assuntos e, assim, conseguir a tão almejada vaga para o ensino superior.

Nessa disputa por vaga, muitos estudantes oriundos da escola privada, não raro, podem ter um melhor suporte para conseguir fazer essas avaliações, dadas as realidades assimétricas e inconstantes da rede pública. Essa situação não diz respeito a uma capacidade individual do estudante, mas, muitas vezes, é uma questão de desigualdade de oportunidades.

ENSINO SUPERIOR SEM SAIR DA SUA REALIDADE

Essa situação de diferenças de oportunidades chama ainda mais a atenção quando pensamos na relação que os estudantes do campo podem ter com as universidades. Quando um estudante alcança a vaga desejada em uma universidade distante, pode ser desafiador enfrentar o ambiente, as pessoas e a cultura do local de estudo, o qual pode ser muito diferente do habitual para o indivíduo. Isso, sem contar as exigências financeiras, as quais podem envolver, em especial, alimentação e moradia. Na vida do estudante que vem de comunidades campesinas, esse dilema sempre esteve presente, pois a universidade pública não chegava, presencialmente, às comunidades rurais.

Como uma resposta a essa situação, foi desenvolvido um processo de formação de ensino superior que visa à articulação entre o meio acadêmico e a realidade social/cultural do estudante, o que é possibilitado pelo chamado regime de alternância. Essa prática, que envolve a oportunidade de o estudante ficar um período na cidade sede da universidade e outro período em sua própria comunidade, é ainda pouco utilizada no ensino superior, mas já vem particularizando e possibilitando as Licenciaturas em Educação do Campo pelo país.

Um dos cursos que possui essa proposta é a LEC-UFVJM, cuja sede é em Diamantina-MG. O curso forma professores certificados nas áreas de Linguagens e Códigos - habilitando os graduados a atuarem nas áreas de português e inglês - e também Ciências da Natureza - que habilita o profissional para atuar nas disciplinas de química, física e biologia. Uma proposta como essa, além de viabilizar uma forma alternativa de acesso e permanência na universidade, pode fazer com que o educando consiga estabelecer relações entre o que foi ensinado a ele no meio acadêmico e o meio social em que está inserido.

A lógica dessa articulação, nesse sentido, é tentar promover transformações e benefícios a todos os envolvidos. Por exemplo, com certos conhecimentos acadêmicos, o estudante tem mais oportunidades de fomentar melhorias para a sua localidade. Em contrapartida, os moradores, ao se envolverem no processo de ensino, passam a contribuir com conhecimentos próprios no processo formativo do sujeito e na realização das atividades acadêmicas. Também vale destacar que o próprio estudante, muitas vezes, passa a servir de inspiração a outros moradores, que muitas vezes passam a ver com mais nitidez um caminho para o sonho de conseguir alcançar o ensino superior.

Para quem se interessou em cursar essa licenciatura, atenção: o pedido de isenção de taxa de inscrição já se esgotou dia 24 de janeiro. Porém, ainda é possível se candidatar: as inscrições irão ocorrer de 12 de fevereiro a 12 de março. Para saber mais informações, você pode acessar o edital do processo seletivo em:

https://www.ufvjm.edu.br/copese/a/noticias/349-copese-divulga-edital-do-processo-seletivo-lec-21019.html 

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