TRABALHO ARTESANAL NA COMUNIDADE DE BURITI É TEMA DE ATIVIDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA LEC-UFVJM

Na comunidade de Buriti, estudantes do curso Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da UFVJM promoveram uma roda de conversa e uma mini-oficina de artesanatos de barro com uma artesã local 

Por: Fernanda Antonina Rodrigues da Silva

Com o intuito de realizar uma prática de ensino do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), estudantes do curso fizeram, no dia 06 de setembro, um encontro na comunidade de Buriti, situada a poucos quilômetros da cidade de Turmalina. Em regime de alternância, o curso conta com momentos de aprendizagem na sede da universidade, o que chamam de Tempo Universidade, e nas comunidades dos estudantes, no Tempo Comunidade.

Foto tirada em visita a Associação de Artesãs de Barro. Foto: Clebson Almeida. 2019
Foto tirada em visita a Associação de Artesãs de Barro. Foto: Clebson Almeida. 2019

A fim de refletir sobre o tema "Educação e Trabalho", tema gerador definido em reunião com as comunidades e representantes dos movimentos sociais no espaço de diálogo denominado Conselho Consultivo, a prática envolveu uma visita à associação de artesãs de barro e, mais precisamente, a casa de Dona Deuzani, uma das artesãs da comunidade, onde estudantes, juntamente ao professor orientador Clebson Almeida, organizaram uma roda de conversa. Dona Deuzani falou sobre o trabalho que desenvolve na comunidade com o barro, além de comentar sobre a experiência de receber muitos visitantes interessados no seu trabalho e nas oficinas oferecidas por ela. Falou também da função que ela assume como receptiva familiar, hospedando turistas de vários lugares em busca das atrações artesanais de Buriti.

A partir de uma pergunta "Como é ser mulher?", proposta pelos estudantes, Dona Deuzani relatou suas experiências enquanto mulher, mãe, trabalhadora, artesã, agricultora, dona de casa, professora e receptiva familiar. Em reflexão sobre o momento atual e equidade de gêneros, Dona Deuzani opina que "A luta não acabou" e que "A vitória sem luta é vazia". Para ela, a luta "Não é fácil" e, sobretudo, intrínseca ao ser mulher: "Pra deixar as dificuldades, tem de deixar de ser mulher".

Com isso, abriu-se uma discussão muito interessante a respeito do papel da mulher na sociedade, os preconceitos que sofrem e o papel do machismo nessa realidade. Em diálogo com o tema educação e trabalho, Dona Deuzani falou da relação entre educação e o trabalho que desenvolve na comunidade, fundamentada em princípios como o respeito pelo próximo e pelo meio ambiente. Na sua fala, deixou claro, ainda, que busca promover reflexões sobre os métodos educativos originários nesses princípios que, segundo a artesão, são fundamentais para a existência humana.

Após a roda de conversa, o grupo partiu para as atividades práticas com a mini-oficina de barro onde os estudantes acompanharam e vivenciaram etapas de produção de uma peça que envolve o processo de socar o barro, peneirar, preparar a massa, produzir as peças e levá-las ao forno para secarem. Após a oficina, houve uma passagem rápida pela exposição de peças já produzidas por Dona Deuzani. O fim da visita se deu com uma caminhada pela mata de preservação existente na propriedade da artesã, considerada "Um lugar Sagrado", como afirmou a anfitriã. E ali mesmo, em meio a mata fechada e calma, em um momento de extrema gratidão pelas experiências vividas, todos cantaram, parabenizaram Dona Deuzani e agradeceram a oportunidade de conhecerem parte de suas culturas.

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