SEMANA PAULO FREIRE NA ESCOLA FAMÍLIA AGRÍCOLA DE VEREDINHA

por Neltinha Oliveira

A Escola Família Agrícola de Veredinha (EFAV) realizou, entre os dias 10 e 14 de setembro a I Semana Paulo Freire, que teve como objetivo propor diálogos a respeito da Educação do Campo, da educação contextualizada e da educação popular, com referência em Paulo Freire. O evento contou com a participação dos estudantes do 1º e do 2º ano, da equipe de monitores, de alguns pais e mães e pessoas convidadas para compartilhar os seus conhecimentos. A I Semana Paulo Freire teve o apoio de todos os educadores, contudo, Paulo Henrique Lacerda e Neltinha Oliveira ficaram à frente da organização. Nos dias 10 e 14, as atividades ocuparam o período da manhã e da tarde e, nos outros dias, somente a parte da manhã. Houve uma diversidade de temas e debates extremamente ricos, profundos e críticos. Os temas propostos para a semana foram: Paulo Freire, Educação do Campo, Educação popular, Comunidades tradicionais, A luta da mulher e as questões de gênero, Educação contextualizada, Preconceito linguístico, a História e a importância da EFAV.

Na segunda-feira, participaram da mesa o professor André Rech (professor da LEC-UFVJM), Aline Sulzbacher (professora da UFVJM), Clébson Almeida (mestrando em Estudos Rurais na UFVJM) e José Murilo (técnico do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica - CAV, Turmalina-MG, e parceiro da EFAV). O tom da prosa girou em torno da pedagogia crítica e do olhar crítico do educador e dos educandos em relação à história e à realidade. À tarde, os estudantes apresentaram trabalhos resultantes de grupos de estudo, pesquisa e extensão; parte de uma metodologia usada na escola para elaborar projetos e realizar experimentos ao longo do ano letivo.

Na terça-feira, a mesa de discussão contou com a colaboração do Seu Valdemar (folião da Comunidade Gameleira), Seu Zé Pequeno (folião da Comunidade Monte Alegre), Rafael Pereira (mestrando em Estudos Rurais da UFVJM). Fizeram-se presentes também, os grupos de Folia da Gameleira, Monte Alegre e Galego. A mesa apresentou como principal elemento a ênfase na valorização da cultura do Alto do Vale do Jequitinhonha por meio de iniciativas dentro das comunidades de estudantes. Nesse dia, a família EFAV caiu na folia com os foliões e cada grupo em seu estilo e ritmo contagiou ainda mais a escola com toda a riqueza cultural presente ali.

Na quarta-feira, contou-se com Edivânia, do CAV. A trilheira, que trabalha a formação e o empoderamento das mulheres, atuando em comunidades dos municípios de Chapada do Norte, Minas Novas e Turmalina, realizou uma oficina abordando a luta da mulher e as questões de gênero. Em vários momentos ela questionou alguns ditos populares que transformam-se em verdades sociais, como, por exemplo: "em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher" e "prenda suas cabras que os meus bodes estão soltos". Com esses dois enunciados, ela salientou que nada justifica a violência e que a omissão é um fator gravíssimo. Ela acentuou que é necessário respeitar a mulher em qualquer espaço e, é preciso, acima de tudo, respeitar a condição de ser humano.

Na quinta-feira, a discussão girou em torno da educação contextualizada e compuseram a mesa os convidados, João (professor e vice-diretor da E. E. Antônio F. de Oliveira), Dimas (professor da E. E. Antônio F. de Oliveira), José Murilo (técnico do CAV e apaixonado pela EFAV), Rita (irmã do José Murilo) e Renato (irmão do José Murilo). Todos apresentaram os seus relatos de vida e as dificuldades que enfrentaram para acessar a educação. Destacaram que registrar a história é fundamental e identificaram a carência de registros do modo de vida das pessoas mais velhas, além de enfatizarem a importância da leitura na escola.

Já na sexta-feira, na parte da manhã, contou-se com a colaboração da Anielli Lemes (professora da UFVJM) e do Luiz Henrique Magnani (professor da UFVJM). Eles dialogaram sobre a Educação do Campo e o preconceito linguístico. Anielli explicou que a Educação do Campo é fruto da pedagogia crítica e da luta dos movimentos sociais dos camponeses e camponesas. Ela defendeu que é preciso resgatar o campo que está sendo sufocado pelo agronegócio. Ela apresentou também o curso da Licenciatura em Educação do Campo da UFVJM e as similaridades com a proposta pedagógica das EFAs. Luiz Henrique destacou que a educação do campo é um trabalho de colaboração. "Aqui [em um contexto de alternância], a escola é um espaço formativo e a casa também é um espaço formativo". Ele apresentou trechos de textos e poemas em que foi possível constatar que "toda língua muda" e "toda língua varia". Segundo ele, existe uma questão de classe social em jogo quando se discute o preconceito e a variação linguística.

A equipe de monitores e os estudantes avaliaram positivamente a I Semana Paulo Freire e, em comum acordo, solicitaram a continuidade da sua realização nos próximos anos. Para a comunidade, a semana foi percebida como muito rica e como um tipo de novidade que a EFAV estava necessitando. Além de ter sido um espaço que aproximou toda comunidade escolar do pensamento freireano, o evento priorizou debates que ampliaram as concepções existentes sobre a Educação do Campo e política nacional e que, além disso, provocaram educadores e educandos a lutarem por uma escola cada vez melhor.

Veja algumas imagens que registraram esse momento

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