ESVAZIAMENTO DA BARRAGEM DA CAATINGA É TEMA POLÊMICO EM BOCAIÚVA - MG

A barragem é uma das maiores do Norte de Minas e um rompimento corre o risco de atingir até 900 hectares de terra

Por Wallison Victor

Foi noticiado nestas últimas semanas o risco de rompimento da Barragem da Caatinga localizada na comunidade de Engenheiro Dolabela, município de Bocaiúva-MG. Com aproximadamente 1300 metros de comprimento e 20 metros de profundidade, caso a barragem rompa, poderá atingir até 900 hectares de terra. Atingiria assim os moradores do Assentamento Heberte de Souza, também conhecido como "P.A Betinho", e outras comunidades circunvizinhas. Após receber a denúncia de especialistas ambientais sobre os ricos de rompimento da barragem, o INCRA decidiu esvaziar por completo barragem, porém recuou visto que poderia causar outros impactos na comunidade, como deixar a comunidade sem uma segurança hídrica.

Imagens da barragem via satélite. 2019. Google Maps.
Imagens da barragem via satélite. 2019. Google Maps.

A Barragem da Caatinga tem aproximadamente 50 anos, e foi construída na época da Malvina, a primeira fábrica de álcool e açúcar da região, hoje em ruínas. A barragem foi construída para servir ao movimento fabril e continuou servindo como um grande reservatório de água em períodos de estiagem. Hoje em dia, a barragem abastece a comunidade Engenheiro Dolabela e as comunidades circunvizinhas. Fornece água para consumo e produção dos pequenos agricultores da região, e ainda mantém o Rio Jequitaí nos períodos de seca. Sem a barragem, o rio pode vir a secar completamente em curto período de tempo.

Há no momento um clima de divisão entre os moradores da comunidade. O INCRA organizou um abaixo-assinado em que há duas opções: "continuar com a Barragem funcionando normalmente" ou " o esvaziamento da barragem por completo". As consequências que virão com estas escolhas são desastrosas, uma vez que o funcionamento normal da barragem pode ocasionar no seu rompimento, e o esvaziamento pode ocasionar a perca do único reservatório de água da região e o falecimento do rio Jequitaí.

Deixar nas mãos dos moradores a desativação da barragem ou não é um risco, pois se parece simples escolher entre um e outro, as consequências de cada escolha podem ser muito mais graves do que as percepções que cada votante possa ter no momento. Em vez de fazer uma proposta onde os moradores devam escolher entre um desastre e outro, duas opções que atingem a população, caberia aos órgãos responsáveis pensar em uma solução que garantisse a segurança e o abastecimento da população.

A prefeitura ainda não lançou nenhuma nota sobre a manutenção e recuperação da Barragem, nem como se ela pretende se comprometer com essa questão. Há de ressaltar que o assentamento "P.A Betinho", onde está localizada a comunidade Reta Grande 3, pertence ao município de Engenheiro Dolabela e já o serviu muitas vezes com o abastecimento em período de extrema seca. Espera-se que a prefeitura assuma a frente na recuperação da Barragem. Dessa forma o povo dolabelense poderá continuar em segurança, com abastecimento produzindo e plantando e o Rio Jequitaí continuar seu curso normalmente.

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