CASA DE SEMENTES EM SERRANÓPOLIS DE MINAS CONSERVA APROXIMADAMENTE 200 ESPÉCIES DE PLANTAS

Na comunidade Barra do Toro, em Serranópolis, o produtor rural Geraldo Gomes Barbosa é conhecido como Guardião de Sementes, e seu trabalho agroecológico e de preservação já é reconhecido por várias universidades dentro e fora do país.

Por Wallison Victor Caldeira de Freitas

Em Serranópolis de Minas, na comunidade de Barra do Toro, o produtor rural Geraldo Gomes Barbosa cresceu aprendendo a importância de melhorar e preservar as sementes crioulas e a natureza, o que fez dele um guardião de sementes. Hoje ele conserva em sua Casa de Sementes aproximadamente 200 espécies, entre milhos, amendoins, feijões, além de sementes de árvores frutíferas e plantas medicinais. O trabalho com técnicas agroecológicas começou com seu avô há cerca de cem anos com práticas que ainda conserva em sua produção, o que garante a preservação da história e cultura deixada por seus antepassados.

Casa se Sementes do produtor Geraldo Gomes conserva várias espécies de plantas alimentícias e medicinais.
Casa se Sementes do produtor Geraldo Gomes conserva várias espécies de plantas alimentícias e medicinais.

O Guardião de sementes Geraldo Gomes Barbosa é figura conhecidíssima na comunidade pelo trabalho que o tornou exemplo da conservação e disseminação de sementes crioulas no Norte de Minas e no Brasil. Na terra onde trabalha, deixada de herança pelo seu pai, cultiva uma grande variedade de sementes, sobretudo de milho e feijão, com o objetivo principal de manter a produção e o estoque. Graças à sua vontade de continuar os legados de seu avô e de seu pai, algumas tradições do campo vão se mantendo na Barra do Toro. Ao contar um pouco de sua vida ele diz: "Meu pai e meu avô plantavam muitas variedades de feijão, milho, mamona e outras coisas. Eu aprendi com eles, e desde os 7 anos é o que eu faço."

Segundo Geraldo, sementes crioulas são aquelas sementes originais, mantidas e selecionadas por décadas de colheitas pelos agricultores familiares tradicionais, melhoradas naturalmente e modificação de laboratório. Além do sabor diferenciado, as sementes crioulas têm maior facilidade em adaptarem-se ao clima quente; são, portanto, sementes que resistem ao sol naturalmente e, pelas mãos dos agricultores familiares, vêm resistem a agindo à agroindústria que vem ocupando esses espaços de produção. Além de tudo isso, Geraldo faz a doação e comercialização das sementes como forma de manter a continuidade das espécies.

Geraldo também é conhecido por ser um dos poucos moradores que resiste às novas técnicas de plantação, sendo defensor da agricultura familiar ecologicamente sustentável, onde as técnicas de produção não podem passar por nenhum método que envolva o uso de pesticida ou adubação química. Além disso, Geraldo não utiliza os métodos de queimada em sua plantação. Ele diz que ao fazer isso, todos micro-organismos que ajudam na composição da terra são mortos, além de aumentar o crescimento de ervas daninhas.

O conhecimento tradicional guardado por Geraldo não se resume às sementes. Além disso, também cultiva frutos do cerrado, árvores medicinais, poupas de frutas, vinhos e licores. Todo o excedente de produção vai para a Cooperativa de Agroextrativistas Grande Sertão, o que ajuda a fortalecer a economia local.

Sem ter se dedicado aos estudos na juventude, como era a realidade de muitas famílias do campo, Geraldo Gomes Barbosa não tem formação completa no ensino fundamental, pois foi obrigado a largar a escola cedo para ajudar ao pai com as atividades da roça. Mesmo sem acesso ao ensino formal, o conhecimento deixado pelo seu pai mostra-se de grande relevância, até no meio acadêmico. Hoje em dia, Geraldo Gomes é convidado a participar de atividades acadêmicas em diversas universidades pelo país e no exterior como palestrante, professor de minicursos e oficinas, entre outras atividades que promovem a aproximação dos conhecimentos acadêmico e o popular. Tudo como resultado do seu conhecimento sobre agroecologia e a preservação das sementes crioulas.  

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