AUTOGESTÃO DE LICENCIANDOS DO CAMPO MARCA DESLOCAMENTO ATÉ A UNIVERSIDADE

Graduandos da Licenciatura em Educação do Campo da UFVJM dos mais diversos locais de Minas Gerais se organizam com antecedência para terem suas aulas em Diamantina.

Por Mateus Felipe Oliveira e Sandra Silva.


Assim como ocorre com outros núcleos de estudantes da LEC-UFVM, os jovens de Ouro Verde de Minas-MG se organizam em processo de autogestão para conseguirem transporte e chegarem à universidade em Diamantina-MG. A ida dos estudantes ocorre semestralmente por razão do Tempo Universidade, uma etapa prevista no calendário do curso, que é em regime de alternância[1]. O deslocamento desses estudantes se dá de forma independente tanto da universidade quanto dos demais graduandos do curso e demanda certa capacidade de mobilização. No caso do grupo que se reúne no Vale do Mucuri, há um trajeto de cerca de 600 quilômetros a ser percorrido do Núcleo de Alternância - nome dado a cada cidade sede das atividades do Tempo Comunidade da LEC_UFVJM - até Diamantina-MG.

Partida dos jovens rumo a Diamantina-MG. 2018. Mateus Felipe Oliveira.
Partida dos jovens rumo a Diamantina-MG. 2018. Mateus Felipe Oliveira.

Assim, preparar-se para o primeiro dia de aula de cada semestre é algo que, para esses universitários, começa muito antes do que em cursos com calendário tradicional. Para a última viagem de ida feita pelos licenciandos, no dia 06 de janeiro de 2019, por exemplo, o frete do ônibus foi feito antecipadamente com uma empresa de Diamantina depois de os estudantes concluírem ser a melhor opção de valor para aquele momento. Além disso, outros fatores costumam ser considerados na contratação da empresa de transporte: se o veículo está em boas condições e se atende às especificidades dos alunos, que, pelo fato de ficarem cerca de 45 dias fora de casa, carregam uma grande quantidade de bagagens. Afinal, essa é uma estratégia também para reduzir despesas com compras na cidade de Diamantina, já que os licenciandos, por estarem fora de suas casas, já arcam com gastos, que não são poucos, durante o Tempo Universidade. Vale destacar que nem todo estudante possui alguma bolsa estudantil como forma de auxílio.

Vinicius Lima, um dos graduandos que tem se encarregado de contratar as empresas que vão atendê-los, diz que as conversas sobre o processo de fechamento de contrato acontecem todas por meio do WhatsApp. Isso mostra que as novas tecnologias facilitam muito na comunicação e organização do Núcleo de Alternância, pois viabilizam a comunicação de forma mais rápida e prática. É interessante ressaltar, ainda, que essa mobilização dos universitários também contribui para a sua formação. De acordo com o estudante Manoel Macedo Martins "a organização não é fácil, mas realmente colabora na interação e na convivência em grupo, pois ser universitário requer responsabilidades e praticidade na autogestão". Outro aspecto interessante é que como é uma viagem de longo percurso, aproximadamente 10 horas, os viajantes - que, muitas vezes, são de períodos letivos diferentes - aproveitam para interagir entre si. Isso de certa forma beneficia os calouros, pois eles já começam a se inteirar do funcionamento do curso desde os primeiros contatos com os colegas na viagem. Por meio da troca de experiências com os veteranos, eles passam a ter uma noção de como será sua jornada durante os próximos quatro anos.


[1] Na terminologia do curso, que se baseia na Pedagogia da Alternância, o período em que os estudantes permanecem em suas comunidade é chamado 'Tempo Comunidade' e o período em que permanecem na universidade é chamado de 'Tempo Universidade'.

Veja também

Reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), com parceria com a EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), busca esclarecimentos acerca do cooperativismo para produtores rurais no município de Ataléia-MG.