Apanhadores de flores podem se tornar primeiro patrimônio agrícola brasileiro internacionalmente reconhecido.

por Andreia Ferreira dos Santos; Francine Nilma Perpetuo e Ingrate Tais Ferreira. 

A prática dos apanhadores de flores Sempre-vivas pode se tornar o primeiro patrimônio agrícola brasileiro a ser reconhecido pelo programa de reconhecimento de Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (Sipam), concedido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Os apanhadores são responsáveis não só por manter viva a cultura das gerações anteriores da Panha de Flores Sempre Vivas, mas também do cultivo da roça de toco e da solta do gado.

Foto:Acervo da Comunidade Quilombola de Raiz.

A candidatura ao selo de Patrimônio Mundial da FAO aconteceu durante o I Festival dos Apanhadores e Apanhadoras de Flores Sempre-vivas, que ocorreu na cidade de Diamantina nos dia 21 e 22 de junho de 2018. Durante o evento, houve a entrega de um dossiê ao representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, no qual foi retratado o modo de vida de cada comunidade - a maioria quilombola - e a forma tradicional com que cada família mantém um sistema agrícola. A elaboração do documento foi feito pela Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas da Serra do Espinhaço (Codecex), em parceria com o Governo de Minas e as prefeituras de três municípios: Diamantina, Presidente Kubitschek e Buenópolis.

Para as comunidades, essa candidatura traz uma grande expectativa de que as politicas públicas previstas nas leis possam acontecer. a fim de que os sujeitos do campo envolvidos consigam manter vivo um modo de vida secular. Os apanhadores de flores já aguardam com otimismo um retorno da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).


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