“ÁGUA VIVA... INHĀ”!

Ana Marina de Paula (aluna do 2º período da LEC/UFVJM)

Helder de Moraes Pinto (professor da LEC/UFVJM)

Você sabia que exercícios de história da educação nos permitem saborear curiosidades da "vida roceira" de Diamantina-MG. E que existe aí nesta vida, por exemplo, um lugarejo com diversas particularidades no que diz respeito aos conhecimentos tradicionais? Já ouviu falar da terrinha que ninguém quer ir, mas quando vai não quer sair? Se sim, com certeza você sabe do que eu estou falando do INHAÍ!

O Arraia de Sant'Ana foi a distrito em 1853, pela lei nº654, e a freguesia pela lei n.3151 de 1883. Foi um dos primeiros núcleos decorrentes das descobertas de diamantes; informações referentes ao povoado constam no mapa de demarcação do município de Diamantina levantado em 1750. Inhaí soma as Maria Nunes, Boa Vista, Quebra Pé e o Quilombo de Vargem do Inhaí; comunidade esta de povo simples, e a simplicidade uma riqueza dos modos de ali viver. Um modo de viver ligado à extração da "sempre-viva", ao "garimpo artesanal" de "pedras preciosas" e ao cultivo ancestral da "mandioca".

Adaptação e montagem – Ana Marina, LEC-UFVJM
Adaptação e montagem – Ana Marina, LEC-UFVJM

Mas Inhaí, comunidade entre morros num terreno balneário, seria também "inhā", "água do rio em movimento" "[...] ué desde que eu nasci já ixistia esse nome Inhaí, eles dizem que é nome indígena, né? Significa... Água ruim, alguma coisa por aí ou água boa, água viva [...]". No "registro escrito: Myinhahy+meri (1729), Inhay, Inhaý Grande, Inhaý Pequeno (1734/5), Inhaý (1776), Inhai (1778), Inhaý (1784), corgo do Inhahy (1787) Arrayal do Inhahy (1787), Inhahi (1800), Inhai (1804), Inhay (1820) Destacamento Inhahi (1821)."

Em Inhaí hoje se adota o lema: "Povo que cultiva suas raízes é um povo que não morre!", e busca fazer com que o processo de desenvolvimento local caminhe com a manutenção das tradições deste povo.

Os antigos relatam que "nem sempre tudo foram flores" nas beiras destas águas de Inhaí. Que, por exemplo, o primeiro espaço para escolarizar as crianças era um "Grande Largo", um espaço aberto sob as galhas de grande Eucalipto onde se fez uma das primeiras salas de aula. Com o tempo, além do Largo, outros espaços utilizados na comunidade para escolarizar as crianças forma "porões" das casas das próprias professoras. Isso diz muito dos investimentos em escolarização nesta comunidade.

Hoje, porém, a comunidade conta com uma infraestrutura escolar diferenciada, a Escola Estadual João César de Oliveira, que fornece às crianças da região além da algumas ferramentas que auxiliam no processo de alfabetização. Além das atividades que articulam a participação ativa da comunidade escolar nas tarefas educativas; um exemplo disso é o Projeto "Escola Aberta" que seleciona oficineiros da comunidade para desenvolver situações de aprendizagem a partir de conhecimentos característicos da comunidade, como artes, artesanatos, esportes, dança e práticas agroecológicas, entre outras. O projeto "Música para aprender divertir e conviver", iniciativa da professora "Lucia Maria de Oliveira" que tem como objetivo usar a "musicalidade" de diversas maneiras, e co isso tornar mais prazeroso os processos de aprendizagem crianças em diferentes conhecimentos escolares. Por meio de músicas, defende a professora, as crianças aprendem alfabeto, a tabuada além e várias outros conteúdos.

O projeto "Eu, Você e a Escola, Educação que Transforma", uma iniciativa da Escola tendo como parceira a sociedade civil organizada, bem como o projeto "Caminhando Juntos" (Procaj), trabalharam no fortalecimento das famílias com vistas a garantir o desenvolvimento integral de adolescentes e jovens da comunidade. Tal ação, vale dizer, foi vencedora 11ª edição do Prêmio Itaú-UNICEF - uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do Fundo das Nações Unidas para a Infância, com coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

Conclui-se que a parceria escola-e-comunidade traz, a partir das interações realizadas, inúmeros benefícios não somente para o processo de escolarização das novas gerações, já que é relevante para a reconstrução da história da comunidade.

Imagino que você não sabia que a fome da "vida roceira" de Inhaí de escolarização alimentar-se- ia... 


 Para saber mais acesse os links abaixo:

Dissertação de mestrado de Igor Assis Carvalho Santos 

<https://repositorio.unb.br/handle/10482/33847

Pagina da comunidade de Inhaí 

<https://www.facebook.com/InhaiDiamantinaMg/>

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